Bicicleta
Quem nunca levou um tombo de bicicleta quando criança? Eu já. E muitos! A queda era superada rapidamente e lá estava eu montada na minha poderosa de novo, sempre persistente. Os roxos da minha perna denunciavam o meu desequilíbrio. Mas nada que umas boas pedaladas não curassem e o trauma da queda caía no esquecimento num minutinho. E assim a minha infância se desenrolava. Entre um tombo e outro, as quedas sucedidas dos infinitos recomeços. Confesso que às vezes tímidos, porém, ao longo do caminho, o entusiasmo crescia dentro de mim. E o prazer era imenso.
Quando somos adultos parecemos que esquecemos todos os ensinamentos sábios da infância. A gente chora, questiona, quer andar pra trás pra descobrir o que aconteceu, mas demoramos pra enxergar que é preciso continuar e com a mesma alegria de antes. Porque o machucado dói mais que outrora, a gente não consegue esquecer assim fácil. Ficamos rancorosos, difíceis de esquecer e de perdoar. A gente se tranca para o recomeço e se afunda na queda.
Há aqueles que dão risadas da nossa situação estatelados no chão. Há aqueles que sentem dó e nada fazem. Há ainda outros que dizem:
- Eu te avisei que ia cair. Andou depressa demais. Da próxima vez, tome mais
cuidado. Não acredite em tudo que ouve e que vê.
Eis que surgem os amigos que nos estendem as mãos para nos tirar do chão. Eles
são figurinhas essenciais para a retomada da nossa coragem e de encarar o desafio da pedalada novamente.
Hoje, aos meus 24 anos, faço uma viagem no tempo e vejo que já tomei alguns tombos na vida. Recentemente levei um super tombo que me deixou um roxo enorme no meu peito. Eu sei que ele vai sumir um dia e que pode demorar um pouco. Mas quero pensar no recomeço, na retomada da pedalada, como fazia na infância com a minha bicicleta. Levantar, sacudir a poeira, deixar a ferida cicatrizar com o tempo, continuar pedalando e escolhendo os caminhos por quais quero passear. Feliz e com olhos curiosos (de criança). E entre uma curva e outra, se equilibrando no ar, como um colibri, sorrir e encarar o que vem pela frente. E se cair, posso até chorar, mas eu levanto e começo tudo outra vez. Pois o mais importante é a gente querer recomeçar e andar novamente de bicicleta. Desistir nunca! Os novos caminhos nos levam a inúmeras descobertas. E as cicatrizes nos trazem ensinamentos fundamentais para nosso mundo de pedaladas infinitas.
Beijos a todos os meus sinceros amigos que me ajudam nessas pedaladas da vida.
***Este post foi inspiradíssimo na canção “Bicicleta”, do disco Pé com pé da Palavra Cantada. O sábio compositor Luiz Tatit concebeu a letra para a belíssima melodia de Sandra Peres. Esta música foi dedicada ao Nicolas Mattar, filho de Renata Mattar. O Nic pedalou até onde ele pôde nos seus três meses de vida. Porém após muitos obstáculos ele não mais teve forças de pedalar entre nós. Hoje ele pedala entre as estrelas, com sua bicicletinha de aro azulado que se confunde com o céu. ***


4 Comments:
Terra de Sonhos.
Moniquinha, é isso ai, o importante é levantar e tentar de novo. Cair nos faz crescer, nos faz pessoas melhores e mais fortes. Sem quedas, a vida não teria graça e nós não teriamos a maravilhosas sensação do levantar e começar de novo.
Tem uma música do Los Hermanos que diz: "...quem sempre quer vitória e perde a GLÓRIA de chorar".
Bjocas
Mônica,
"O que a lagarta chama de fim-do-mundo, o Mestre chama de borboleta..." É daí que eu tiro a força pra deixar as quedas pra trás! 8^)
Com carinho,
Eu
"Tente
E não diga que a vitória está perdida
Se é de batalhas que se vive a vida
Tente outra vez"
Nunca desista de seus sonhos...
Bjos,
Li
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