Os Meninos Morenos
Hoje pela manhã acabei de ler um dos últimos livros do Ziraldo: "Os Meninos Morenos". Ele conta algumas passagens da sua infância em Caratinga, Minas Gerais numa prosa bem colorida e cheia de causos e versos. O livro é ricamente ilustrado e nos faz ter orgulho de sermos todos misturados, morenos, meio índios, meio brancos. De ao invés de neve, termos muito sol. E que o interior do Brasil é recheado de histórias fascinantes. Ziraldo brinca com o mapa do mundo, colocando a América do Sul, bem no centro. Ele chama de "projeção morenocêntrica do planisfério". Afinal, a Terra é uma bola e quem disse que precisamos adotar este mapa que coloca o Brasil num cantinho? Numa litetarura que faz a gente recordar das passagens de Guimarães em Minas, ele diverte e emociona. Brinca e fala coisas sérias disfarçadas de histórias.
"(...) O pobre do menininho recebeu a mamona atirada com força, nunca soubemos por quem, bem no meio do olho. Na hora, niguém imaginou que pudesse ser coisa grave.Quando decidiu-se que ele precisava de socorro, era tarde. AS guerras são masi cruéis do que se pode imaginar, mesmo as de brinquedo. Além de perder uma vista, o meu amigo de infância passou pela vida com o apelido de Zé Mamona".
Em 2002 tive o prazer de entrevistá-lo para o programa "Hora do Recreio". E fiquei com vontade escutar depois de tanto tempo. Aproveitei e anotei algumas pérolas, que só ele, versátil e totalmente menino maluquinho, consegue expressar.
"A escola tem que entender que livro precisa ser associado a prazer e não a pressão".
"Na minha infância a rua era um lugar de se brincar e não de se ter medo".
"A criança é o pai do ser humano. Ou seja, você é a criança que marcou a sua vida. Então se a criança for feliz hoje, não tem que se preocupar com o futuro. Porque a vida é feita de muitos hojes. Todo dia que nascer vai ser hoje pra você"
"Estudar é importante. Mas ler é mais importante que estudar".
Vou encerrar com um dos lindos verso do guatemalteco Humberto Ak'abal, do livro Meninos Morenos.
Na poça,
haviamuitas estrelas;
pedi a meu pai
que as tirasse dali.
Ele removeu a água
gota a gota
e pôs as estrelas
nas minhas mãos.
Ao amanhecer
eu queria saber se era verdade
que ele as havia tirado da poça.
E era verdade, na poça
só restava o céu.


2 Comments:
Ziraldo, o vovô mais lindo do mundo! Viu a entrvista dele no Provocações?! nem sei de quando, mas faz muito tempo. Homem espirituoso, brasileiro, valente professor!
Ei, Mônica! Esses versos do Humberto Ak'abal trouxeram-me à memória outros versos bem comuns à minha infância:
"Olho para o lago
E vejo o céu...
Olho para o céu...
Ué, cadê o lago??"
(sessão "moços sérios escrevem de vez em quando": o poema do Ak'abal realmente matou a pau!)
Bêzo! (_8(|)
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