24.4.05

Os Meninos Morenos

Hoje pela manhã acabei de ler um dos últimos livros do Ziraldo: "Os Meninos Morenos". Ele conta algumas passagens da sua infância em Caratinga, Minas Gerais numa prosa bem colorida e cheia de causos e versos. O livro é ricamente ilustrado e nos faz ter orgulho de sermos todos misturados, morenos, meio índios, meio brancos. De ao invés de neve, termos muito sol. E que o interior do Brasil é recheado de histórias fascinantes. Ziraldo brinca com o mapa do mundo, colocando a América do Sul, bem no centro. Ele chama de "projeção morenocêntrica do planisfério". Afinal, a Terra é uma bola e quem disse que precisamos adotar este mapa que coloca o Brasil num cantinho? Numa litetarura que faz a gente recordar das passagens de Guimarães em Minas, ele diverte e emociona. Brinca e fala coisas sérias disfarçadas de histórias.

"(...) O pobre do menininho recebeu a mamona atirada com força, nunca soubemos por quem, bem no meio do olho. Na hora, niguém imaginou que pudesse ser coisa grave.Quando decidiu-se que ele precisava de socorro, era tarde. AS guerras são masi cruéis do que se pode imaginar, mesmo as de brinquedo. Além de perder uma vista, o meu amigo de infância passou pela vida com o apelido de Zé Mamona".

Em 2002 tive o prazer de entrevistá-lo para o programa "Hora do Recreio". E fiquei com vontade escutar depois de tanto tempo. Aproveitei e anotei algumas pérolas, que só ele, versátil e totalmente menino maluquinho, consegue expressar.

"A escola tem que entender que livro precisa ser associado a prazer e não a pressão".

"Na minha infância a rua era um lugar de se brincar e não de se ter medo".

"A criança é o pai do ser humano. Ou seja, você é a criança que marcou a sua vida. Então se a criança for feliz hoje, não tem que se preocupar com o futuro. Porque a vida é feita de muitos hojes. Todo dia que nascer vai ser hoje pra você"

"Estudar é importante. Mas ler é mais importante que estudar".

Vou encerrar com um dos lindos verso do guatemalteco Humberto Ak'abal, do livro Meninos Morenos.

Na poça,
haviamuitas estrelas;
pedi a meu pai
que as tirasse dali.

Ele removeu a água
gota a gota
e pôs as estrelas
nas minhas mãos.

Ao amanhecer
eu queria saber se era verdade
que ele as havia tirado da poça.

E era verdade, na poça
só restava o céu.

2 Comments:

At 8:08 PM, Blogger Carolina said...

Ziraldo, o vovô mais lindo do mundo! Viu a entrvista dele no Provocações?! nem sei de quando, mas faz muito tempo. Homem espirituoso, brasileiro, valente professor!

 
At 2:56 PM, Anonymous Anonymous said...

Ei, Mônica! Esses versos do Humberto Ak'abal trouxeram-me à memória outros versos bem comuns à minha infância:

"Olho para o lago

E vejo o céu...

Olho para o céu...

Ué, cadê o lago??"

(sessão "moços sérios escrevem de vez em quando": o poema do Ak'abal realmente matou a pau!)

Bêzo! (_8(|)

 

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