Sapatilha + chuteira = coisa boa
Li esses dias no Estadão, dito por um jovem bailarino do projeto Joaninha (do Ballet Stagium), a seguinte declaração:
"... a sexualidade não está em uma sapatilha ou em uma chuteira".
Eu fiquei encantada por esta declaração. Achei-a tão madura e verdadeira... Mas, infelizmente, esta coisa do preconceito ainda muito presente na nossa sociedade formula estereótipos sociais e julgam aqueles que não estão enquadrados.
Lembro-me que na minha infância entre virar estrelas com pernas tortas e chutar as canelas dos meninos, ficava sempre com a segunda opção. Adorava futebol. Joguei no ginásio, no colegial e até na faculdade tínhamos um time, as Roberbelas. Tudo bem que perdíamos quase todas as partidas, mas era tão legal calçar as chuteiras e jogar, jogar e jogar...
Não sei se é porque tenho 3 irmãos, entre minhas bonecas havia também uma arma de espoleta, uma fantasia da mulher maravilha, e a Barbie que convivia muito de perto com os bonequinhos do comandos em ação. Também por sermos quatro, sempre era escalada pra brincar de gol a gol nos quintais por quais já passamos. E quando ia para o colégio, no alto dos meus onze anos, discutia tanto sobre os enredos das novelas como dos resultados do campeonato paulista.
Nunca gostei de Hello Kity, cor-de-rosa, brincos, batom, perfume, ursinhos de pelúcia, sandália ou sapatos. Gosto de rabo de cavalo, amarelo e vermelho, caneta 10 cores, meia e tênis, livros, jogo de buraco, chá, blusa amarrada na cintura.
Observando a meninada de hoje, acho que tem muito mais meninas molecas que antes. E também meninos mais sensíveis, que gostam de fazer ballet. Isso é bom. Muito bom. Mas é preciso despirmos de todos esses pré-julgamentos que vem colado na gente, junto com as palavras de nossos pais. Párar de denominar azul para meninos e rosa para as meninas. E vivam todas as cores, a infinidade de gostos, esportes e sentidos. Afinal o que importa mesmo nisso tudo é amar e ser feliz. E essas coisas não tem cor, raça, nem religião. Basta sentir.


1 Comments:
Que texto lindo Mô! Infelizmente vivemos numa sociedade onde a diversidade é vista com maus olhos, mesmo por aqueles que se dizem "modernos"... mas temos que lutar contra isso e mostrar que para uma mulher jogar futebol, ela tem que ser muito mulher, e que a sexualidade não tem nada a ver com isso mesmo, e se tiver, cada um na sua, né?! Abaixo a intolerância e aos esteriótipos!
Bjos
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