As avós da Luísa
Tive duas avós na minha vida.
A minha vó paterna durou até os meus oito anos. Minhas lembranças é de uma velhinha franzina, com seu carrinho de feira fazendo compras no Carrefour. E no dia do meu aniversário, aparecia sorrateiramente com uma caixa de bombom garoto. Deixou um quadro de flores vermelhas, retratos em preto e branco, uma boneca-de-pano que ela mesmo fez pra mim, uma caixinha de música japonesa e diários com páginas amarelas que guardam segredos da juventude. Diários que conversam comigo, mais do que as palavras que trocamos em vida. E através dessas escritas do passado a gente se entende, se corresponde, somos cúmplices de sentimentos iguais.
Já a minha vó materna se foi quando tinha uns 21 anos. Ela não me deixou nada material como a outra, mas me deixou lembranças infinitas. De quando viajamos de trem para a praia e ela me deixou comer bolacha de água e sal no caminho. De quando fazia picolés de manga pra gente chupar, dos chinelinhos de pano que confeccionava com carinho, de quando disputávamos buraco durante toda uma tarde de verão, dos bolhos de coelho na Páscoa, de quando chorava quando contava uma história pra gente. Ela ria chorando. Não esqueço do cheirinho da minha vó... do seu feijãozinho maravilhoso e do seu jeito bravo e corajoso de enfrentar o mar.
Mal sabe a Luísa que escolho os meus pretendentes de olho nas futuras e prováveis avós. Não sei como será quando ela for grandinha, mas com certeza ela vai saber a minha preferência por avós que são mulheres fortes, batalhadoras e loucamente apaixonadas pelos filhos.
E existem três grandes mulheres que eu desejei muito que fizessem par com a minha mãe pra serem as super avós.
A primeira foi uma das mulheres mais adoráveis da minha vida: Helena. Mãe do meu primeiríssmo amor. Mulher brava, determinada, forte e loucamente apaixonada pelas suas crias. Imagina ela vó da Luísa? Ia encher-lhe de esfirras aos domingos e contar histórias e mais histórias do pai quando pequeno. Com aquele seu sorriso generoso e sua pose de italiana, Luísa seria uma neta de muita sorte e de muita gana.
A segunda escolhida foi a Vera, mãe de um grande amigo meu. Nunca tivemos um relacionamento amoroso, mas no dia que descobri sua mãe, senti uma pontinha de vontade da gente casar e ser feliz para sempre, tendo a Luísa a segunda vó mais especial deste mundo. A Vera é advogada e, ao mesmo, tempo, administra um sítio inteirinho. Bonita, inteligente e desbravadora das montanhas de minas, carregou a família paulista e foi párar em PA city. Puxa, a Vera e minha mãe também seriam uma grande dobradinha de avós maravilhosas.
E a terceira... eu já tinha certeza que seria finalmente ela. Ai ai... Ilusões do destino. Mas valeu a intenção. A Sussú é uma vó muito moderna. Ela é uma mulher on-line, antenada com as novas tecnologias e também muito batalhadora. Mais que isso. Sua grande paixão são seus dois filhos queridos e tenho certeza que ela literalmente iria até o fim do mundo por esses dois. A Sussú, além de tudo, é uma grande amiga, uma companheirona nas horas tristes e felizes, romântica, leitoras das palavras de acalento, carinhosa que só... conversadeira, não tem medo de chorar, não tem medo de sorrir e de estender a mão pra quem precisa. Aliás, as suas mãos estão sempre prontas para acariciar, para acalentar, erguer, levantar e ajudar seus amores. A Sussú é uma grande mulher, forte e adoria que a Luísa nascesse "Figueira" como ela. Sem medo de viver, sem medo de se arriscar, mas sempre com aquela esperança que encharca seus olhos de lágrimas e derrama em sorrisos de amor.
No entanto, ainda não sei o quem será a segunda avó de Luísa. A vida segue seu rumo. Mas seguirei meus instintos. Ela está por chegar... eu sei.


2 Comments:
Aqui é a Sussu.... francamente não sei o que dizer, será que sou assim tão maravilhoso como você me vê, mas mesmo assim OBRIGADA, isso fez com que eu me sentisse a melhor mãe e avó do mundo, e qdo eu crescer quero ser como vc me vê. Bjs adoro vc Mô
Sueli(sussu)
Que lindo isso! Amei! Bjos
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