Casa de Areia
O filme "Casa de Areia", ao qual eu assisti ontem, implicou comigo. E muito! Perseguir um objetivo ou deixar estar... ao sabor do vento?
O filme com as Fernandas, mãe e filha, é pertubador. Aquele mar de areia infinito, o sol que não se acaba, a ausência de música deixa-nos com a boca seca. Genial mesmo é o Seu Jorge tranformar-se em Luiz Melodia e o encontro das Montenegros no final do filme falando que o homem pisou na Lua e lá encontraram mais "areia". Muito bom!!!
Mas o que eu fiquei matutando é por que chega um momento que a gente se conforma, deixa estar, fica assim então, nossos sonhos não morrem, mas adormecem, acostumamos simplesmente? Triste? Não sei não. Parece que a vida sem ânsia de mudar perde um pouco sua graça, mas a acomodação traz paz. Uma paz nunca alcançada pelo ser que vive buscando incessantemente.
Eu tenho meus momentos de viver no cantinho, meio escondida, entre meus livros e os chás, entre as montanhas mineiras, perdida entre um parágrafo e outro. E acho que o que eu busco é exatamente isso: aquela felicidadezinha morna de ver meu rancho, meus amigos, filhos e netos lutando contra as ondas doidas da vida. Assim como o Seu Guimarães. Assim também como a Lya descreve sua terceira idade.
Mas estou na fase totalmente oposta, a das lutas, a dos sonhos... E mesmo com este vigor da juventude já não sonho mais: retratos em preto e branco, folhas nuas, riso sem graça, emoções congeladas.
Volto a ser aquela criança velha que morou em mim por tanto tempo.


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