amor belicoso...
Eu sei que falar de referendo é meio estafante, uma discussão polêmica, de muitas opiniões, que durante dias fez com que a população pensasse sobre a violência do país e quais as melhores atitudes a tomar.
Mas o fato é que aqui em casa votamos não, com a convicção que proibir o comércio de armas nada iria ajudar na diminuição da violência. E porque também, na verdade, aqui em casa, armas (de fogo ou não) sempre foram bem-vindas, apesar disso poder soar estranhamente, vindo de uma garota de 25 anos, sonhadora e romântica.
Pois é... aqui em casa sempre vivemos num ar belicoso. Desde criança ouvi meu pai falar que estava se preparando para a guerra. Seja ela contra humanos, bichos ou ETs. E, por isso, nos ensinou a estarmos sempre preparados. E não estou falando em somente saber manusear uma arma. Estou falando do treinamento físico, da alimentação e de saber lutar.
Quando nós quatro éramos crianças, ganhávamos muitas armas de brinquedo. Meu irmãos lutavam de cajado no quintal. Eu adorava meu revolvinho de espoleta com cabo vermelho. Era a Mulher Maravilha do velho-oeste. E embora meu pai tenha se empenhado em criar uma mulher guerreira, sempre gostei das românticas frágeis, das cinderelas da vida...
Meu pai quis que eu fizesse judô, karatê, tae-ken-do... Mas eu escolhi balé, jazz e dança cigana. Porém, nas fotografias guardadas, encontro a Mônica de oito anos com uma faca pendurada na cintura, se achando a Rambo versão mulher.
E eis o dia que fomos morar em Minas e meu pai montou um verdadeiro quartel-general. Se armou de pastores alemães, ficou sócio de um clube de tiro em Itajubá, adquiriu uma porção de armas de colecionador e nossa diversão aos finais de semana, além de jogar vôlei, era atirar com arco-e-flecha.
Passado uns anos, ele fundou, junto com um grupo de amigos, o clube de tiro de Pouso Alegre. E todos nós passamos a frequentar o clube, como se fosse um simples clube de campo. Tinha até aquela máquina de atirar pratos... Era bacana! Mas eu gostava mesmo era de ficar olhando aquela paisagem infinita e linda que havia entre aquelas montanhas, minahs musas inspiradoras.
E apesar da arma em si ser um objeto de nenhum estranhamento ou medo, até porque nunca passei por uma situação de apuro, não sou a mulher guerreira que meu pai sempre sonhou em ter. Eu sou mesmo a mulher manteiga-derretida. Aquela que é molinha de coração. Aquela que luta muito pelo o que quer, mas é incapaz de atirar pra tudo quanto é lado. Aquele que é determinada, mas que não contém as lágrimas. Sou mesmo uma grande mulher romântica, sonhadora e que ainda acredita no amor. E não há arma no mundo que o impeça ele de existir, crescer e tomar conta da gente.


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