Minas, minha querida.
Quando eu morei em Minas, foi como se tivesse saltado do meu destino e vivesse uma outra história paralela ao tempo. Foram seis anos de muitas aventuras por aquelas bandas de lá. Pausa no trabalho incessante, no trânsito, na violência cotidiana, na capital do consumo desenfreado.
Como a Sofia, de Jostein Gaarden, eu era uma personagem de uma história das histórias.
Em Minas pude falar com o "r" ao final das palavras, ser apaixonada pela sibipiruna da calçada e caidinha pelo ipê amarelo do jardim da frente. Eu tinha três cachorros que lambiam minhas lágrimas quando estava triste e podia escolher a rede melhor pra assitir ao espetáculo do meu amigo Sol, no seu poente. Tive muitos amigos queridos. Aprendi a fazer bolo de morango e a desgustar a melhor esfirra do mundo, da tia Russa.
Aprendi a dirigir e a não ter medo das ladeiras; descobri a minha paixão secreta pelos andantes, estudos de Fernando Sor e minuetos de Bá nas partituras para o meu velho violão; me enamorei das chuvas de verão que caíam no meio da tarde sem avisar.
Minas, minha querida e saudosa terra. Hei de um dia viver entre suas belas e ternas montanhas, misteriosas e que me faz tão bem. Nasci em São Paulo, mas tenho um quêzinho mineiro, do sul, herança dos meus pais e avós. Terrinha da mentira, das prosas Rosas, das músicas de Milton, das poesias tão de Carlos.


1 Comments:
Êeee Minas Gerais!!! Bons tempos de andar de bicicleta até aquelas casas bonitas, de ficar na rede na varanda, dos cachorros, do Pato Fu...
Saudades...
Bjos
Post a Comment
<< Home