3.11.05

Perdas e Ganhos...

Quando eu era uma menininha pequena, eu perdia lápis-de-cor adoidado. Não sei que mágica que acontecia que no começo do ano a caixa de 24 era completinha e já no meio do ano estavam faltando algumas cores fundamentais: como o verde-árvore, o marrom-bombom, o azul-piscina, nº 42. Lembra deste? Era assim... umas pintadas no caderno e um vapt-vupt desvairado na sala de aula, na sala de casa ... Mas era só começar o ano seguinte que a minha mãe comprava uma caixa nova no Carrefour.

Quando eu fiz 13 anos e 10 meses perdi meu primeiro namorado. E não foi assim como os lápis-de-cor, que era uma coisa meio natural. Esta perda doeu fundo em mim, em todas as partes do corpo. Eu gostava tanto daquele menino de cabelos cor-do-sol, que havia me mostrado como era bom grudar os lábios e ficar assim... meio bobos, meio juntos, sem-comer, no escurinho do cinema, de mãos dadas pelas ladeiras da memória ... E quando eu o perdi, entre um beijo e um tchau, eu chorei muito... Chorei, chorei, chorei dias... até que minhas lágrimas secaram e a perda foi se acostumando dentro de mim. Acho um lugarzinho e ficava lá... às vezes remoendo aquela coisa perdida.

Aos 19 perdi o medo de ser feliz e me atirei nos braços de uma pessoa incrível e vivi momentos de brilho eterno. Esta perda veio em boa hora...

Aos 20 perdi meus avós, aos 22 perdi meu primeiro emprego, mas foi motivo de uma grande felicidade. Aos 23... não lembro se perdi. Aos 24 perdi meu segundo amor. E aos 25, chego numa conclusão...Às vezes perder algo, implica em ganhar muitas outras coisas. A perda faz doer o coração da gente na maioria das vezes, mas é imprescindível para o nosso amadurecimento, para o ir e vir das coisas da vida.

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