16.11.05

Estrelas cadentes

Quando vi uma estrela cadente caindo, descobri que eu podia maisme elevar. Soube que ela não estava morrendo nas chamas e sim completando um ciclo aqual se tinha destinado. Talvez nem ela soubesse de seu próprio destino e julgou que aquele instante era seu fim. Talvez ela não soubesse que teve que percorrer todas as suas rotas no espaço para que acumulasse a poeira das estrelas em si e as trouxesse em forma de vida para a terra. O seu fim era o seu começo.

Talvez, enquanto ela vagou pelo espaço sempre se perguntou o porque de percorrer tantas distâncias em tantos vazios. Todas as incertezas a consumiram em todos os seus percursos. Todas as dúvidas exigiram que ela se tornasse maior do que era porque para cada uma delas ela tentou buscar uma resposta. E a resposta maior ela descobriu quando percebeu que
tinha que ser menor do era para poder ser maior do que tudo.

Talvez você não precise ter todas as certezas do mundo para começar a fazer algo. Se você as tivesse, com certeza, não o faria. As dúvidas fazem parte de todos os nossos dias e elas somente se dissipam quando cruzamos uma linha das nossas muitas chegadas.


****Texto recebido por e-mail de não-sei-de-quem. Spam, acreditem se quiserem... Destino, meus caros... Porque este texto caiu como uma luva no meu momento de agora. ****

3.11.05

Perdas e Ganhos...

Quando eu era uma menininha pequena, eu perdia lápis-de-cor adoidado. Não sei que mágica que acontecia que no começo do ano a caixa de 24 era completinha e já no meio do ano estavam faltando algumas cores fundamentais: como o verde-árvore, o marrom-bombom, o azul-piscina, nº 42. Lembra deste? Era assim... umas pintadas no caderno e um vapt-vupt desvairado na sala de aula, na sala de casa ... Mas era só começar o ano seguinte que a minha mãe comprava uma caixa nova no Carrefour.

Quando eu fiz 13 anos e 10 meses perdi meu primeiro namorado. E não foi assim como os lápis-de-cor, que era uma coisa meio natural. Esta perda doeu fundo em mim, em todas as partes do corpo. Eu gostava tanto daquele menino de cabelos cor-do-sol, que havia me mostrado como era bom grudar os lábios e ficar assim... meio bobos, meio juntos, sem-comer, no escurinho do cinema, de mãos dadas pelas ladeiras da memória ... E quando eu o perdi, entre um beijo e um tchau, eu chorei muito... Chorei, chorei, chorei dias... até que minhas lágrimas secaram e a perda foi se acostumando dentro de mim. Acho um lugarzinho e ficava lá... às vezes remoendo aquela coisa perdida.

Aos 19 perdi o medo de ser feliz e me atirei nos braços de uma pessoa incrível e vivi momentos de brilho eterno. Esta perda veio em boa hora...

Aos 20 perdi meus avós, aos 22 perdi meu primeiro emprego, mas foi motivo de uma grande felicidade. Aos 23... não lembro se perdi. Aos 24 perdi meu segundo amor. E aos 25, chego numa conclusão...Às vezes perder algo, implica em ganhar muitas outras coisas. A perda faz doer o coração da gente na maioria das vezes, mas é imprescindível para o nosso amadurecimento, para o ir e vir das coisas da vida.

1.11.05

Minha novela!

Assim como o final da novela América está cada vez mais próximo e, portanto, o fim do dramalhão brasileiro-mexicano-miami de Sol (Débora Seco) também está. E embalada pela trilha da sonora da novela, do supense, dos chororôs para a grande festa final da alegria, onde todos se casam e se dão bem, assim estou eu... me encaminhando para dias desencanados e de folias.

Tem momentos da vida da gente, que parecemos roteiristas de novela. No meu caso, a semelhança é com o Monjardim ou o Manoel Carlos... longos capítulos dramáticos, sofrimentos atrozes, altamente reflexivos e cheios de diálogos edificantes, mas que nada satisfazem a alma. Queria mesmo ser mais Walcir Carrasco, com seus romances do horário das seis, bem água-com-ácucar, e com aquela fundamental pitada de bom-humor pra toda vida da novela. Ah! Como queria!

Mas ... como a vida imita a arte e arte imita a vida, a minha novela cotidiana vai mudar de horário e de história: chega de mágoas, ressentimentos, de culpa, de choros, de "ninguém-me-ama-niguém-me-quer". Bora pras coisas boas da vida, bora pros bons sentimentos... Quero sentir calor! Por isso quero mais é me aventurar no horário das sete... vestir figurinos extravagantes, dançar, fugir, viajar... e arrumar um doido por aí... pra me embalar na poesia dos seus desejos.