Dizem as más línguas da história da minha família que meu pai só se casou com a minha mãe porque não podia se casar com o meu tio Celso. Se é força de expressão ou não, o fato é que os dois tiveram uma bonita e forte amizade durante anos a fio.
Meu pai, mineiro de Brazópolis, veio pra São Paulo no início da década de 60. Morou no Brás por um tempo, se apaixonou pelo Timão e era frequentador assíduo dos jogos da rua Javari.
Meu tio Celso, mineiro de Belo Horizonte, também veio pra São Paulo na década de 60, porém um pouco mais tarde. Ele chegou a morar em vários lugares – Pinheiros, Itaim Bibi - antes de chegar à várzea de baixo, onde os dois se conheceram.
A tal chamada “várzea de baixo”, que hoje, acreditem, é a Chácara Santo Antônio, era conhecida assim por causa dos seus vastos verdes infindáveis, o longo córrego que cortava o mato alto e a ausência da urbanização no local. E, por ser um lugar longínquo do centro e inabitável, era o negócio da China paras as famílias que buscavam o sonho da casa própria. E foi assim que a família do meu pai se mudou do Brás para Santo Amaro. E a família da minha mãe também.
Meu pai e o tio Celso fizeram amizade logo que chegaram e viveram muitos momentos da juventude juntos. E de tanto meu pai chamar meu tio Celso, a minha mãe acabou se apaixonando pelo magrinho de gorro, que tinha uns olhos de vidro, que deixava as meninas fascinadas.
Tempo vai, tempo vem... meu pai e minha mãe se casaram e tiveram nós quatro (o Romeu, eu, o Breno e o Diogo). Depois que o meu pai se casou com a minha mãe, o tio Celso logo se apressou e tratou de arranjar uma esposa e uma família. E se apaixonou por uma menina linda, loira, mais alta que ele, de apenas 16 anos. Tiveram que se casar às pressas, porque o amor foi tão rápido, que ela já estava com a barriga grande e bem redondinha. E foi assim que o tio Celso começou a escrever sua história de família. O tio Celso teve 4 filhos (o Chico, a Ângela, o Rafa e a Juliana). Dois com a Fátima e mais dois com a Nice, sua segunda esposa. E o que ele mais gostava de dizer aos quatro cantos era como os filhos deles eram grandes, bonitos e inteligentes. Principalmente o Chico, o mais velho. O orgulho do pai babão.
O meu tio Celso foi um cara muito bacana. Posso enumerar uma série de qualidades, tanto quanto defeitos. Mas em suma, era um amigo para todas as horas, (principalmente quando mudávamos de casa); consertador de tudo quanto é coisa e consertava tanto, que logo depois tinha que arrumar de novo (nunca entendi porque as vizinhas lá da rua adoravam quando ele ia consertar as máquinas de lavar); era animadíssimo, falante e adorava uma bebidinha (gostava tanto tanto, até cair); levava meu pai às feiras de carro para barganhar os carros velhos da garagem (e assim poder trocar por outros carros velhos); tive que decorar que o meu tio era “pau de amassa doido” para quando tivesse namorados eles me ‘respeitassem’; fazia competição com o meu pai para ver quem conseguia comer mais salada (vê se pode); adorava minha mãe e sempre a levou para brincar de carrinho de rolemã nas ruas de BH, por mais que fosse coisas de menino.
Uma determinada vez, das tradicionais enchentes da nossa cidade, principalmente lá para as bandas da estrada de Itapecerica, a casa da minha vó se encheu d’água. Meu tio Celso morava lá na época e salvou todos os presentes do naufrágio, como um herói. Depois ele ficou morando lá em casa por uns tempos e trouxe um amigo cantor, um sabiá tímido que ele cultivava dentro de uma gaiola. Adorava a companhia daqueles dois. Meu pai gritava menos quando ele estava lá e a casa ficava mais alegre com suas palhaçadas.
O tio Celso escreveu sua história, foi feliz, fez amor, fez filhos, fez amigos, fez a gente morrer de rir e fez a gente ter muita saudades desde o dia em que ele foi embora. Fico só imaginando se ele tivesse aqui ainda pra dar uns conselhos pro meu teimoso pai. Pra amparar minha mãe em alguns momentos de desespero. E pra estar presente no nosso cotidiano, pra intimidar meus namorados (rs), pra ver seus filhos lindos crescerem e casarem-se, pois é...
A finalidade deste post é justamente porque meu querido primo Chico vai se casar na próxima sexta-feira. E tenho certeza que o meu tio Celso ia ser o cara mais metido e orgulhoso deste mundo ao ver seu filho casar, com manda o figurino. Ao ver seu filho começando o início de uma história de família com a jovem Andréia
Tio Celso, querido, dedicação total a você este post cheio de história, saudades e sentimentos.