30.9.05

29 de setembro

Lembro que adorava ficar no murinho da casa da praia esperando o trem passar... E você, pequenina, era minha companheira nessas horas de angústia, ansiedade, mas de alegria também. Hoje não tem mais o murinho, nem mais o trem, mas ainda estamos juntas nos nossos momentos de acalento da esperança.

Você consegue lembrar que quando éramos crianças trocávamos papel de carta e, hoje, trocamos recheios, palavras, idéias, sonhos... Esta constatação eternece a alma. Já moramos perto, já moramos muito longe, mas o que importa é que nossa essência é sintonizada.

Somos filhas de mães irmãs, librianas, calmon no sangue, momentos fortes de leocádia, movidas pela mesma paixão e pelo Timão! Somos mulheres, amigas, confidentes... Pobre paulistas, amantes de Clarice e todo tipo de literatura que nos enriquece. E faz 23 anos!!! E sou grata por esta sua amizade, pelo seu carinho, por você ser assim: simplesmente você, tão linda, tão carinhosa, tão incompreendida, tão gordinha nos pensamentos!!!

Feliz dia 29 de setembro - embora esteja atrasada na homenagem blogueira.

21.9.05

Grão de amor

As palavras que eu perdi durante este tempo de processamento das suas, ficaram este tempo todo sussurando pra mim, coladas no meu lado esquerdo, ocupando por longas horas meus pensamentos. Tem um teórico das ciências sociais que diz que têm momentos que a linguagem verbal é incapaz de expressar um determinado sentimento. E é exatamente assim que me senti, depois que li tudo que você escreveu... As palavras não me servem. Quero música pra lhe responder... Quero acordes que expressem o que vai na alma. Preciso de um arranjo de cordas, com flauta tranversa, numa partitura impecável, com interpretação sem igual. André Mehmari no piano, Ulisses Rocha no violão... E nesta orquestra para interpretar meus sentimentos, o regente é o meu coração desvairado, com vontade de trangredir o tempo, as regras e só obedecer as vontades mais sinceras.

Foi umas das coisas mais lindas que já li, meu caro. E desejei tantas coisas... Não acreditava de pronto nas semelhanças... Não é possível que duas pessoas possam ter uma intimidade tão profunda assim e tão pouco se conhecem. E saiba que esta mousse de chocolate com creme de leite é a minha cobertura de bolo predileta. Também gostaria de lhe dizer muitas e muitas coisas... Passaríamos dias e madrugadas despejando palavras, sonhos, desejos, tudo de bom que há nesta vida.

Mas enfim... volto à realidade e sei que muita coisa não é possível. Vivemos um "destiempo", como fala o grande Martín-Barbero. E eu tenho certeza que penso certo quando lembro dos pequenos... tão lindos, tão mais especiais que tudo.

Porém, sempre saiba o grão de amor imenso que vai no peito. Independente dos fatos, do tempo vil, independente da nossa sábia razão.

16.9.05

E dale Martha!

As minhas caraminholas imploram... Queremos Martha! E então... dei a elas uma overdose de Martha Medeiros nesta tarde triste de sexta-feira.

Querem mais? Leiam o Donna do Zero Hora todos os domingos.


Uma crônica sobre o amor

Seja através de clichês cinematográficos ou de prosa da mais alta qualidade, a verdade universal é que só o amor nos humaniza de fato

Dois entretenimentos diferentes. Sábado, filmezinho no DVD: Alfie, com o feioso Jude Law. Não cheguei a assistir a primeira versão, com Michael Caine, que todos dizem ser melhor, pra variar. O filme conta a história de um don juan que dorme cada noite numa cama e cujo projeto de vida é este mesmo: trocar de parceiras até a exaustão para não morrer de tédio. Aí, claro, vão acontecendo coisas aqui e ali, até que ele descobre... vê se adivinha: que uma vida não tem sentido sem amor.

Acabou o filme, fui dormir. Quando acordei no domingo, resolvi passar o dia em companhia de Gabriel García Márquez e seu poético Memórias de minhas putas tristes, um livro lindamente escrito e onde encontra-se a seguinte frase: "O sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança". Salve a literatura. Mas é exatamente o que o filmeco-sessão-da-tarde Alfie queria contar, e contou à sua maneira.

Seja através de clichês cinematográficos ou de prosa da mais alta qualidade, a verdade universal é que só o amor nos humaniza de fato. Pode-se gostar ou não desta idéia, ela pode ser claustrofóbica para uns e libertária para outros, mas o mundo dá voltas e voltas e chega sempre neste ponto, o de que o amor é mais importante que o dinheiro, que o sexo, que a beleza, ainda que tudo isso seja ótimo também. Mesmo com uma vida recheada de acontecimentos, se estivermos ocos, não veremos muita graça em nada. Poderemos até parecer independentes, inteligentes, modernos, sofisticados... mas só o amor responde às nossas indagações - indagações que podem também ser divertidas, inspiradoras, transgressoras, bla, bla, bla... mas ainda irrespondíveis sem amor. Sem amor, neca. Sem amor, babaus. Sem amor, o resto é consolo.

Vale amor por um cachorro, por um projeto, por si mesmo? Prefiro acreditar que sim, que o amor sem conotação romântica também pode justificar uma existência, que ele pode tornar uma pessoa, senão plena, ao menos leve e alegre, sem necessidade de buscas intermináveis. Mas não é isso que nos dizem livros, filmes, músicas, poemas. Se não amamos alguém, é uma vida vivida sem integralidade. Pode até ser uma vida boa, mas não uma vida que valha a pena ser contada.

Diante desta sentença, fazer o quê: é ele que desejamos, é por ele que procuramos, é nele que queremos tropeçar, nem que seja aos 90 anos, nem que seja quando estivermos secos depois de fazer tanta burrada, nem que seja para durar três dias, nem que seja para nos fazer sofrer, nem que nos arrebentemos, como tantos se arrebentam em seu nome. Diz o personagem de García Márquez, torturado pelo amor: "Não trocaria por nada neste mundo as delícias do meu desassossego". Quem mais nos colocaria assim de joelhos? Sem amor, nos resta a paz. Porém, uma paz sem gosto.

minha amiga martha me disse...

"(...) Se não era amor, era da mesma família. Pois sobrou o que sobra dos corações abandonados. A carência. A saudade. A mágoa. Um quase desespero, uma espécie de avião em queda que a gente sabe que vai se estabilizar, só não se sabe se vai ser antes ou depois de se chocar contra o solo. Eu bati a 200 km por hora e estou voltando á pé pra casa, avariada.

Eu sei,não precisa me dizer outra vez. Era uma diversão, uma paixonite, um jogo entre adultos. Telvez este seja o ponto. Talvez eu Não seja adulta o suficiente para brincar tão longe do meu patio, do meu quarto, das minhas bonecas. Onde é que eu estava com a cabeça, de acreditar em contos de fada, de achar que a gente muda o que sente, e que bastaria apertar um botão que as luzes apagariam e eu voltaria a minha vida satisfatória,sem seqüelas, sem registro de ocorrência? Eu não amei aquele cara. Eu tenho certeza que não. Eu amei a mim mesma naquela verdade inventada.

Não era amor,era uma sorte. Não era amor, era uma travessura. Não era amor, eram dois travesseiros. Não era amor, eram dois celulares desligados. Não era amor, era de tarde. Não era amor, era inverno. Não era amor, era sem medo. NÃO ERA AMOR, ERA MELHOR"

Trecho do livro que mais amo nesta vida, Divã, de Martha Medeiros.

13.9.05

Crianças...

Pois é... papo vai, papo vem... e fica um monte de adultos pensando o que a criança gosta ou deixa de gostar... Imaginando se ela vai párar pra prestar atenção ou não... Ficam se baseando nas experiências dos filhos e tal. Ou mesmo nas experiências profissionais.

Bem... o causo é que toda criança adora uma boa história, detesta ser tratada como boba, por isso as coisas tem que ser sinceras, cheias de verdade, inteligentes. Só que, em contrapartida, a liguagem do rádio é estranha para as crianças de hoje... Elas são totalmente audiovisuais. Quase nunca se deparam com momentos que somente a audição seja a protagonista. Sim, um desafio enorme fazer com que crianças paulistanas, tão grudadas no controle remoto da Tv, se prendam às ondas sonoras do rádio.

Um desafio para a super Palavra Cantada, que há tempos vem demostrando um certo domínio na conquista dos pequeninos. Será que eles vão conseguir vencer mais este obstáculo????

9.9.05

Entardeceu...

Ontem a noite conversando com você me engasguei com suas idéias equivocadas. Não sei como chegou a conclusões sobre mim tão distantes do que eu sou verdadeiramente. Confesso que me decepcionei com sua falta de sensibilidade no olhar, no sentir... Nossa! Caí das nuvens que eu estava e me esborrachei no chão. Agora estou roxa assim... toda machucada de frustração.

Você sabe... eu vivo com intensidade. Quando eu gosto, eu gosto inteiramente, carinhosamente, apaixonadamente. E meu coração não consegue ser intinerante, ele estaciona. Ele não se divide, ele sempre é um só. Ele faz uma misturada de sentimentos que transborda em dedicação, companheirismo, admiração. Incrível esta coisa de amar, né... São tão bonitas todas essas transformações na nossa alma, na nossa natureza.

Mas enfim... tô muito sensível ultimamente. É difícil lidar com tanta sensibilidade. Tento levar com muito bom-humor. Mas nem sempre é possível.

Queria que você soubesse tantas coisas de mim: que eu adoro chá de cidreira, que quando gosto de verdade eu beijo o dorso da mão (como beijei a sua aquele dia), que eu gosto de sorvete, bolo e brigadeiro porque são doces, assim como eu, assim como eu gosto de experimentar a vida... Que eu prefiro o dia à noite, gosto da primavera, wafer com café, gelatina de uva... Que eu sonho com dias melhores, de mais amor e menos tempestades. Que a Luísa é o meu sonho de viver... que ela já existe, embora ainda não esteja aqui entre nós.

Eu queria olhar nos seus olhos novamente e falar tudo que escrevi aqui. Mas acho que ficou tarde.

1.9.05

As vaquinhas mugindo... eita lembrança boa!!!

Outro dia um querido da minha vida tava relembrando que quando vim de Minas pra cá eu morria de saudades das vaquinhas mugindo além do meu quintal... É que eu morava de frente para um pasto enorme, onde várias delas ficavam lá, ruminando, fazendo “Mu”... E compunham aquele baita cenário bucólico, tão famoso das Minas Gerais.

Pois é... Aí pensando nisso, constatei que não mais lembro das vaquinhas. Não que eu não sinta saudades, mas é diferente. Tornou-se uma lembrança boa e não uma falta imensa, aquele tipo de saudade que te arranca um pedaço, que faz doer seu peito, que faz a gente chorar...

Eu sou uma menina cheia de saudades, brandas e viscerais. Quando lembro do Delphus, por exemplo, tenho saudades que vão fundo na alma e me faz chorar de vez em quando. Quando lembro dos meus avós maternos... Sinto uma saudadezinha carinhosa... Mas terna, calma e alegre. Tenho saudades de gulosa de um bolo de chocolate com morango que fazia. Saudades de andar na grama descalça, saudade da Jade, da Jane, daquele jardim... Saudade daquele Momô que só ele sabia pronunciar. Saudade de jogar buraco, de passar o ano-novo na praia, dos meu primos quando éramos menos compromissados e complexos. Saudade de dormir no mesmo quarto que os meus irmãos e do meu pai mandando a gente dormir. Saudades de quando a minha mãe era só mãe, do Breninho inventor, da quadra de volei, da caravan azul... Quantas saudades!!!

Mas ADORO também quando é possível matar todas as saudades que vão dentro da gente. Eu, ultimamente, venho matando uma que estava tão gorda com o tempo. A sensação de matá-las é MARAVILHOSA. É melhor que comer bolo com sorvete de chocolate. É como ver o Timão ganhar no Pacaembu. É sensacional!!!

Mas a saudade, no nosso bom português, é uma palavra tão carregada de sentimento, que vai ver que é por isso que é tão difícil de traduzí-la.